Vereadora cobra equidade na política de vacinação de Curitiba

Um dos grandes desafios em uma pandemia, como no caso da Covid-19, é a equidade na cobertura vacinal. Esse desafio não passa somente pelo número de doses de vacinas recebidas por um município, mas por um planejamento levando em consideração as desigualdades da cidade. Estudos mostram que as taxas de incidência e mortalidade da doença são maiores em regiões mais distantes do centro. Nesta quarta-feira (4), Professora Josete (PT) pautou o tema na Câmara Municipal.

A vereadora apontou que os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam para a função social de buscar igualdade. “Temos o maior sistema de saúde pública do mundo: o SUS. Um sistema robusto e com uma capilaridade enorme, destacadamente em Curitiba”, disse Josete, apontando além da equidade – que é tratar com maior atenção as pessoas mais vulneráveis; os princípios da universalidade e a integralidade. “Quando tratamos de todas as políticas públicas, temos que sempre ter em mente o conceito de equidade, as pessoas em situação de maior vulnerabilidade precisam ser atendidas de forma diferenciada”.

Para ilustrar a situação, Josete apresentou em plenário um mapa com os 21 pontos de vacinação no município, exemplificando o que ocorre na Regional Tatuquara. Com população estimada de 124.759 habitantes, a vacinação está concentrada em único ponto: a Rua da Cidadania. Junto a limitação de local, está a distância que populações mais vulneráveis precisam percorrer para se vacinar. “Uso como exemplo a situação do Caximba, que possui uma das maiores ocupações do município. É uma população com maior vulnerabilidade, com maior dificuldade deslocamento, muitas delas em situação de desemprego devido a pandemia”.

Para a vereadora, a densidade populacional também não foi considerada, pois há regiões mais populosas que contam com um número menor de pontos de vacinação comparadas com outras regiões menos populosas. Um exemplo é o Capão Raso, onde tanto a Unidade Aurora quanto a Vila Feliz estão realizando a imunização da Covid-19. São dois locais relativamente próximos situados em uma região com maiores condições que a Regional Tatuquara.

Ao fim de sua fala, Josete destacou o papel dos agentes comunitários de saúde como fundamentais para fazer um rastreamento dos casos da Covid-19. “Ao que parece o princípio da equidade não foi considerado pela Prefeitura de Curitiba para definir os locais de vacinação. Resta saber se está havendo algum mecanismo de controle para monitorar as pessoas que moram em regiões de maior vulnerabilidade social, para saber se estão sendo imunizadas”, questionou.

Segundo boletim da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (SESA), divulgado no 1º de agosto, 56% da população adulta de Curitiba recebeu a primeira dose e 22% foi imunizada com a segunda dose, porém esses números absolutos não significam que a proteção tenha atingido todos de uma maneira uniforme.

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