Professora Josete presta solidariedade à comunidade árabe palestina

O 29 de novembro foi designado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino. Na mesma data, em 1947, Assembleia Geral da ONU adotou a Resolução 181, que ficou conhecida como Plano de Partilha. Nela estava recomendada a criação de dois estados: o Estado Israelense (judaico) e o Estado Palestino (árabe).

A cada aniversário da resolução, a comunidade árabe palestina e movimentos de solidariedade denunciam as irregularidades do plano de partilha e suas consequências para uma população que até hoje tem o seu direito de autodeterminação negado. Para os árabes palestinos, o plano foi injusto e determinante para o martírio deste povo. Ele acarretou na expulsão de cerca de 800 mil palestinos de seus lares. Esse êxodo é chamado pelos palestinos de “Nakba”, palavra que significa catástrofe.

Nesta quarta-feira (27), a Professora Josete (PT) abordou o tema na Câmara de Curitiba e prestou sua solidariedade à causa do povo palestino. A pedido da Federação Árabe Palestina no Brasil (Fepal), ela leu a carta endereçada ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. O texto reafirma princípios fundamentais de paz e humanismo que balizaram a criação do órgão pós-Segunda Guerra Mundial e cobra medidas efetivas para que o processo de limpeza étnica perpetuado pelo sionismo e o Estado de Israel seja freado.

Junto ao Plano de Partilha estabeleceu-se a entrega à minoria colonialista judaica, proveniente em sua esmagadora maioria de países centro-europeus, de mais da metade da Palestina e as terras mais férteis. Como se não bastasse, o Estado sionista desde então expandiu incessantemente o seu território, ocupando hoje 88% da Palestina original. Segundo a Fepal, tudo isso foi feito mediante guerras, expulsão sistemática dos palestinos das suas terras, operações de cerco e o estabelecimento de novo tipo de “apartheid”.

Refugiados – A população atual da Palestina é de 13 milhões, dos quais 5,8 milhões vivem como refugiados, conforme dados da ONU. Esse número representa cerca de 9% de toda a população refugiada no planeta, mesmo os palestinos representando apenas 0,2% da população mundial. Isso também significa que para cada 46 refugiados do mundo, 45 são palestinos para um de qualquer outro grupo étnico do mundo.  Apenas 9% da Palestina histórica está em poder do povo palestino, isso levando em conta que a Palestina histórica – reivindicada pelo povo palestino – é de apenas 28 mil quilômetros quadrados, ou seja, um 1/7 do estado do Paraná.

Ualid Rabah, presidente da Fepal, esclarece que a carta endereçada ao secretário da ONU questiona o regime de ocupação ilegal promovido pelo Estado de Israel. “Nossa denúncia é a essa ocupação ilegal e os crimes nela cometidos. Se isso for questionar o Estado de Israel, então ninguém poderia ter denunciado o apartheid na África do Sul, por exemplo. Seguindo essa linha de raciocínio, o boicote e as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU à África do Sul por promover o apartheid não poderiam ter ocorrido”, comenta Ualid.

O representante da comunidade árabe palestina no Brasil lembra que o povo palestino vive sob os contínuos confiscos de terras, construção ilegais de colônias judaicas, com postos militares de controle e estradas exclusivas para judeus, entre outros percalços. “Nem o teatro do absurdo é capaz de traduzir o que acontece na Palestina, é absolutamente surreal, mas ao mesmo tempo concreto, pois toma terra e corta a carne. Mais que uma limpeza étnica programada o que acontece é um experimento”, conclui Ualid.

Confira a íntegra da carta da Fepal

Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC

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