Josete defende interculturalidade e repudia “falsa polêmica” sobre ensino religioso

A vereadora Professora Josete (PT) manifestou-se nesta segunda-feira (14), em sessão da Câmara de Curitiba, em apoio as professoras e professores da Rede de Ensino de Curitiba diante da tentativa de criação de uma falsa polêmica sobre o Ensino Religioso nas escolas municipais, estabelecido pelo Currículo do Ensino Fundamental e pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

No fim de semana, o vereador Pastor Ezequias Barros (PRP) publicou em suas redes sociais um recorte de uma videoaula de Ensino Religioso da TV Escola da Rede Municipal. No trecho da aula, utilizado de forma descontextualizada e incitando críticas à educadora, é abordada a história de Iemanjá, orixá cultuada pelas religiões de matriz africana: Umbanda e Candomblé.

Para Professora Josete, a crítica ao conteúdo é descabida e uma forma de criar uma “falsa polêmica” sobre o Ensino Religioso nas escolas que, apesar de ter sua oferta obrigatória, é facultativa a participação dos estudantes.

“O pai, a mãe ou responsável pela criança ou adolescente pode não autorizar que a criança assista a aula de Ensino Religioso, assim como em tempos de aulas remotas, pode simplesmente não assistir aula em casa”, apontou Josete, em sessão remota da CMC.

A parlamentar lembrou que o currículo do Ensino Religioso aborda temáticas das quatro matrizes que compõe a religiosidade brasileira (ocidental, oriental, indígena e africana) e questionou se esse “incômodo aconteceria se não estivéssemos tratando de uma religião de matriz africana”.

“O vídeo é um recorte de uma aula, de uma atividade lúdica que ilustra como as pessoas desta religião manifestam sua fé. Parece que só incomodou porque a abordagem foi de uma religião africana”, afirmou a vereadora.

Professora Josete cobrou responsabilidade dos parlamentares no sentido de não propagarem Fake News ou desinformação e convidou os colegas de Câmara Municipal a se aprofundarem no tema da diversidade cultural, da interculturalidade e da cultura de paz como forma de superar preconceitos.

Ao fim de seu pronunciamento, a professora prestou sua solidariedade aos profissionais da Rede Municipal de Ensino de Curitiba. “Deixo minha solidariedade as professoras e professores da nossa rede, que neste momento de pandemia, estão se desdobrando para fazer seu trabalho da melhor forma possível. A escola é um espaço de pluralidade. Nossa sociedade é diversa e, portanto, nosso ensino também deve ser diverso”, concluiu.

Posição da SME

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação também pronunciou-se em resposta às críticas do vereador Pastor Ezequias.

“A premissa do Ensino Religioso é ”CONHECER PARA RESPEITAR”, aquilo que não conhecemos nos traz medo e preconceito, sentimentos associados às práticas de intolerância religiosa, também previstas na legislação dentro do código penal. Assim, apresentar a diversidade é construir uma sociedade mais justa e que coloca em prática o que traz a nossa carta magna “todos são iguais perante a lei”. Buscamos a cada dia uma sociedade livre da intolerância religiosa e do preconceito, esse é o foco das aulas de Ensino Religioso no Munícipio e na BNCC”, diz trecho do comunicado.

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