Frente Feminista relembra 11 anos da morte de Rachel Genofre

Mulheres da Frente Feminista de Curitiba e Região Metropolitana estiveram nesta terça-feira (5) na Câmara Municipal para entregar uma moção que solicita que a Rodoferroviária de Curitiba seja batizada com o nome de Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre, menina assassinada em 2008 quando tinha 9 anos. O corpo da vítima foi abandonado em uma mala embaixo de uma escadaria do local.

O documento entregue aos vereadores foi aprovado na II Conferência Extraordinária Municipal de Políticas para Mulheres, no fim de outubro, com apoio de mais de 70 entidades. O movimento de mulheres também lançou uma petição pública na internet para apoio ao pleito. Até o momento a petição já recebeu apoio de mais 8,2 mil pessoas.

A moção classifica o caso como “emblemático” e denuncia que Rachel “foi violada e morta pelo modelo de masculinidade que o machismo e o patriarcado construíram na sociedade”. Também responsabiliza o Estado e aponta possíveis erros no processo para a solução do crime, além de justificar a homenagem a Rachel para que o crimes como este não sejam esquecidos e nunca mais aconteçam.

“Como justiça para este caso não basta apenas seu responsável estar preso e aguardando julgamento. Queremos que a Prefeitura de Curitiba dê o nome de Rachel Lobo Genofre à rodoferroviária de Curitiba numa forma de reconhecer os erros havidos no processo para a solução do crime, como lembrete de que o Estado precisa estar atento e em memória desta inocente que teve sua vida ceifada”, completa o texto.

Prevenção

A vereadora Professora Josete (PT) defendeu em plenário que a memória do estupro e assassinato da menina Rachel seja eternizada com o batismo da rodoferroviária. Ela abriu parte de seu espaço na tribuna para que a mãe de Raquel, Maria Cristina Lobo Oliveira, falasse na Câmara Municipal. Emocionada, ela agradeceu o espaço e pediu apoio de todos os parlamentares ao pleito do movimento de mulheres.

Maria Cristina Lobo Oliveira, mãe de Rachel. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

“Nós do movimento feminista lutamos por justiça, não só neste caso, mas por vários outros. Mais do que justiça, precisamos de prevenção contra a violência, contra as atrocidades cometidas com as nossas crianças, por isso foi entregue o nosso pedido, para que nenhuma outra criança sofra, nem próximo, o que aconteceu com a minha filha”, ressaltou Maria Cristina.

Professora Josete também falou sobre outros casos de violência contra mulheres que seguem sem solução. “Não podemos nos calar diante da violência. Precisamos dar um basta a essa situação, pois diariamente temos a perda de muitas mulheres e meninas”, acrescentou. Após a mobilização na Câmara de Vereadores, as mulheres seguiram em caminhada até a Rodoferroviária de Curitiba. Por lá elas realizaram um ato público e uma panfletagem.

O caso

Em setembro deste ano, após 11 anos do crime, a polícia identificou o assassino. O réu confesso Carlos Eduardo dos Santos, de 54 anos, que estava preso em Sorocaba (SP) e teve seu DNA comparado com o da cena do crime. Rachel estaria hoje com 19 anos. Ela foi assassinada de forma cruel. Desapareceu em 3 de novembro de 2008 depois de sair da escola, Instituto Estadual de Educação do Paraná, por volta das 17h30, e foi vista pela última vez na Rua Voluntários da Pátria, próximo à Praça Rui Barbosa, no Centro de Curitiba.

O corpo de Rachel, na época com apenas 8 anos, foi encontrado no interior de uma mala, às 2h30 da madrugada do dia 5 de novembro de 2008. O objeto e seus pertences estavam embaixo de uma escada no interior do terminal. A menina estava com o corpo seminu e apresentando sinais de violência sexual e estrangulamento.

* Com informações da CMC e Fetec

Movimento de mulheres expôs um varal com imagens de vítimas de violência. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

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