Reitor da UFPR pede que vereadores ajudem a combater fake news sobre universidades

O professor Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pediu para que vereadores e vereadoras de Curitiba se juntem na defesa das universidades públicas e combatam a corrente de desinformação e fake news que atacam as instituições de ensino superior. O pedido foi feito uma semana depois da maioria dos parlamentares rejeitarem uma moção de repúdio aos cortes de 30% do governo federal nos repasses às universidades públicas.

Convidado para falar na Câmara Municipal sobre a situação orçamentária da UFPR, o reitor destacou o papel de agentes públicos e políticos neste cenário. “O essencial neste momento é desfazer notícias distorcidas, a caracterização grosseira que está sendo feitas das universidades públicas em tempos difíceis de ataques. O que vemos é uma corrente de desinformação e fake news. Pela liderança que cada um tem na comunidade, peço que sejam veículos da verdadeira informação e da defesa dessa instituição tão crucial para nossa cidade e nosso estado”, disse o reitor.

Na semana passada, durante votação de uma moção de repúdio ao Ministério da Educação (MEC), proposta pela vereadora Professora Josete (PT), alguns vereadores contrários ao repúdio adotaram um discurso similar ao do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do ministro Abraham Weintraub , que afirmaram que as universidades públicas são locais de “balbúrdia”. “(…) existe um movimento dos pelados nas universidades. Eu tenho vídeos aqui”, disse o vereador Ezequias Barros (PRP) na ocasião. “Há muita bagunça e algazarra”, acrescentou Wolmir Aguiar (PSC), ambos componentes da bancada evangélica na CMC.

Segundo o reitor Ricardo Fonseca, são três fake news que precisam ser combatidas pelos parlamentares; sobre a “insignificância” dos cortes, sobre a “ineficiência” das universidades e sobre a “falta de transparência” na gestões. “Sofremos um corte brutal que pode inviabilizar o funcionamento da universidade a partir do segundo semestre. E uma primeira das fake news tenta dizer que o corte é insignificante, que não é de 30%, mas sim 3,5% “, ressaltou Fonseca.

O reitor apontou que do orçamento total da UFPR, de R$ 1,543 bilhões, cerca de R$ 1,38 bi é para pagamento da folha de pagamento de ativos e inativos. Deste total R$ 515 milhões são para o pagamento de aposentados e pensionistas. “Não há mais gordura para queimar. Desde 2017, quando assumi a reitoria, estamos fazendo cortes. Não há desperdício na UFPR”, citou.

O professor fez um histórico do orçamento de custeio da UFPR, em queda desde 2016. Há três anos o orçamento para custeio era de R$ 184 milhões; em 2017 foi reduzido R$ 172 milhões; e R$ 161 milhões em 2018. “Em 2019 deveria ser mantido os R$ 161 milhões, segundo o orçamento aprovado, porém com esse corte chegará a R$ 112 milhões, o que é inviável. A manutenção do orçamento aprovado já seria preocupante”, afirmou o gestor da UFPR.

A segunda desinformação, segundo o reitor, é sobre uma suposta “ineficiência” das universidades públicas. “As públicas produzem mais de 95% da ciência, tecnologia e inovação no país. É falso o discurso que seria as universidades privadas responsáveis pelo conhecimento do país. Se fossemos ineficientes não estaríamos sustentando a produção do país”, apontou o reitor.

Para terminar, Ricardo Fonseca questionou àqueles que apontam falta de transparência das instituições públicas. “Tenho ouvido que falta transparência na universidade. A cobrança de transparência é legal e deve ser feita, porém seguimos um controle rígido de vários órgãos de controle. Todos os nossos contratos, todo nosso orçamento está disponível na internet para quem quiser. Nenhuma instituição privada passa por tamanho controle. Gostaria que apontassem onde tem um ponto cego no nosso orçamento”, disse o reitor. O argumento de falta de transparência foi utilizado na semana passada na CMC pela vereadora Julieta Reis (DEM), também contrária ao repúdio ao MEC.

O reitor criticou a falta de diálogo do MEC na decisão do corte orçamentário de universidades e institutos federais. “Um corte dessa magnitude tem que ser precedido de diálogo. Nenhuma universidade foi chamada para o debate, foi chamada para fazer eventuais ajustes. Simplesmente amanhecemos sem 30% do orçamento de nossas contas”, falou Ricardo Marcelo.

Em sua conclusão, o reitor voltou a fazer um pedido aos vereadores para que combatam a “retórica obtusa” de que as universidades públicas são adversárias e inimigas do país. “Peço que reproduzam essa fala de defesa de nossas instituições. Não é possível ver o êxito do Paraná longe do êxito da universidade. Não existe futuro sem a pesquisa, ciência e tecnologia que estão concentradas nas universidades públicas”, finalizou.

Após a repercussão negativa do voto contrário a moção de repúdio sugerida pela Professora Josete (PT), a Câmara de Curitiba aprovou nesta segunda-feira (13) duas moções de apoio às universidades paranaenses afetadas pelos cortes do governo federal.

Foto: Ricardo Marcelo/CMC

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